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| Eleições em Nicarágua e na Venezuela: Aprender a ler as entrelinhas |
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Ricardo Daher *
Tradução: ADITAL. Apesar de que a Internet aproximou os meios de comunicação alternativos à maioria dos que acessam esses serviços, os grandes meios de comunicação controlam também a informação na chamada "rede de redes". Estudos recentes demonstram que os grandes meios de comunicação dominam a Internet, motivo pelo qual a informação veiculada também está manipulada pelos seus interesses. Nessa semana, dois casos latino-americanos ilustram essa campanha política que os meios passam para a Internet, tergiversando os fatos e buscando isolar os governos da Nicarágua e da Venezuela. No caso da Nicarágua, a "ditadura" do presidente Daniel Ortega triunfa nas eleições municipais. A oposição, como já havia anunciado antes das eleições, denuncia "irregularidades" e falta de controle dos organismos internacionais. A vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) nas principais cidades do país parece ter tomado de surpresa os meios de comunicação estrangeiros que, 24 horas depois das eleições, continuavam sem informar os resultados do pleito. Antes das eleições do domingo, a imprensa internacional divulgava o que denominava "um exame a Daniel Ortega", antecipando o que acreditavam que iria ser uma derrota eleitoral do governo. Transcorrida a jornada eleitoral, com alguns incidentes, como os que haviam ocorrido em anteriores eleições, a imprensa opositora nicaraguense começou a denunciar irregularidades, fraude e intimidações dos sandinistas. Os meios de comunicação nicaraguenses, em sua maioria, opositores ao governo, foram mudando suas manchetes, de uma expectativa positiva a uma campanha de descrédito das eleições. Quando ainda tinham expectativas de triunfo eram moderados nas denúncias de incidentes e até reconheciam incidentes provocados pela oposição. Depois, tudo foi denúncia. E começaram a preparar as manchetes, posteriormente repetidas pelos meios internacionais; isso quando não aplicam a lei do silêncio, quando as coisas não acontecem como querem. Goste ou não Daniel Ortega, é evidente que a direita internacional não quer sandinistas, mesmo os moderados e convertidos em pombas, no governo da Nicarágua. O problema é que a direita é revanchista, vingativa e, além disso, não aceita de boa vontade nem uma só mudança; não quer ceder nem um milímetro de terreno de suas conquistas neoliberais, por mais péssima imprensa que tenha o neoliberalismo, após a crise financeira que preocupa o mundo inteiro. Da mesma forma, os grandes meios internacionais estão buscando como isolar o presidente venezuelano Hugo Chávez. Um cabo da agência britânica Reuters foi manchete de quase todos os meios internacionais de imprensa: "Chávez ameaça colocar tanques nas ruas e prender adversários". Como aval para sua manchete, transcreveu frases isoladas de um discurso do presidente Chávez, sem mencionar o contexto de suas afirmações. "Se vocês permitem que a oligarquia (...) regresse ao governo, acabarei colocando os tanques da brigada blindada para defender o governo revolucionário e para defender o povo", citou a Reuters. O problema é que o cronista ou editor da nota decidiu ignorar as advertências anteriores feitas pelo presidente venezuelano sobre os planos da oposição de desestabilizar o país e promover um golpe de Estado. Então, "colocar os tanques nas ruas" era um recurso legítimo de um governo constitucional diante de um golpe de Estado. Reuters e os que a reproduziram ignoraram esse contexto. Sobre a ameaça de "prender a oposição", os editores da agência britânica esqueceram de mencionar que a mesma foi dirigida ao governador de Zulia, Manuel Rosales, investigado por corrupção e por proteger os paramilitares colombianos que cruzaram a fronteira para instalar-se nesse Estado. A "ameaça" também estava dirigida ao governador de Sucre, Ramón Martinez, que anunciou que não iria entregar o governo caso perdesse as eleições. Parece, então, que para a para os grandes meios de comunicação, ameaçar prender a um corrupto ou a quem ignore o mandato das urnas está errado. Seria como dizer que as leis "ameaçam" prender os delinquentes. Enquanto não se promovam e estabeleçam meios de comunicação alternativos internacionais, teremos que aprender a ler nas entrelinhas para não ficar enredados nas teias de aranha de mentiras da direita internacional. [Enviado por Barómetro Internacional] * Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email Fonte: www.adital.com.br |
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